sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quem foi D. Luis de Ataíde?

D. Luis de Ataíde (1517 – 1580), foi o 10º Vice-Rei da Índia entre 1568 e 1571, e o 12º Vice Rei da Índia entre 1578 e1581.
Viveu durante os reinados de D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, de D.Henrique I e de D. António (prior do Crato).
Fez serviço militar em África, segundo «Nobreza de Portugal», tomo II, página 332, e, passando ao Oriente, participou da expedição de D. Estevão da Gama ao Mar Vermelho tendo sido armado cavaleiro por ele, na igreja de Santa Catarina do Monte Sinai.
Regressando ao Reino, foi enviado à corte de Carlos V, imperador da Alemanha e rei de Aragão e Castela, e tomou parte na sua expedição contra os luteranos.
No regresso a Portugal, manteve-se estranho às lutas políticas que se seguiram à morte de D. João III a respeito da Regência. Quando D. Sebastião subiu ao trono, foi nomeado 10º Vice-Rei da India em Março de 1568.
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Partiu a 7 de Abril e chegou a Goa em 10 de Setembro de 1568.
Tratou logo de introduzir a disciplina nos serviços e manter domínio do mar. Para que tal objectivo fosse alcançado fez os maiores sacrifícios, tendo organizado esquadras que protegessem o comércio e mantivessem rigor na tributação sobre a navegação dos locais. Fez sufocar a revolta de Baticala com uma frota sob o comando de Afonso Pereira de Lacerda. Encarregou Martim Afonso de Miranda da polícia da costa do Malabar, com uma esquadra de 20 navios.
Deu caça aos corsários, e reprimiu os excessos dos malabares e atacou as forças do Samorim de Calcutá com uma esquadra comandada por D. Diogo de Meneses. Para garantir a segurança da navegação, conquistou em 1569 as praças de Onor e de Bracelor, cujos portos eram centro de piratas.
Conseguiu mudar os negócios da India, mas os príncipes indígenas aliaram-se para expulsar os portugueses. O objectivo desses príncipes era dividir entre si as cidades sobre domínio português. «Ao Hidalcão, que marchava sobre Goa, deveriam ficar pertencendo esta cidade, Onor e Bracelor; ao Nizam Melek, caberiam Chaul, Damão e Baçaim, Diu ficaria para o sultão de Cambaia».
Cercado em Goa por numeroso exército do Hidalcão, D. Luís de Ataíde conseguiu enviar um pedido de socorro a Chaul tendo resultado com essa ajuda a execução de numerosos ataques furtivos. O Nizam Melek, depois de um grande ataque a Chaul em 29 de Junho de 1571, levantou o cerco de Goa. D. Luís de Ataíde demorou as negociações de paz, deixando ao seu sucessor a tarefa de as concluir e voltou para Portugal em 6 de Janeiro de 1572.
Com o prestígio alcançado, chegou ao Tejo em 3 de Julho do mesmo ano. Entrou solenemente em Lisboa e foi conduzido debaixo do pálio da Sé à igreja de São Domingos, à direita do Rei.
Como todos os fidalgos ajuizados, reprovou os projectos marroquinos de D. Sebastião, tendo-se escusado a chefiar a expedição, após ter sido convidado pelo próprio rei. Foi então de novo nomeado vice-rei da India, o 12º e para lá partiu em 16 de Outubro de 1577 com três naus.
O título de conde de Atouguia, o 3º, lhe foi concedido por carta de D. Sebastião em 4 de Setembro de 1577.
Tendo passado o Inverno em Moçambique, chegou a Goa em 31 de Agosto de 1578, recebendo o governo de D. Diogo de Meneses. Negociou a paz com o Hidalcão, que a havia rompido, assegurou domínio onde havia pontos de conflito e refreou os excessos da alçada eclesiástica, que provocavam a emigração dos indígenas.
Faleceu pouco depois de ter recebido no Oriente notícias do desastre de Alcácer Quibir, da morte do cardeal-rei e do domínio filipino. Seu cadáver foi depositado na igreja dos Reis Magos em Goa, e trasladado muitos anos depois para o convento do Bom Jesus em Peniche, de que era donatário, e transferidos mais tarde para a igreja de Nossa Senhora da Ajuda.
Casou três vezes mas não teve geração masculina:
· 1 - com D. Joana de Távora Vilhena, filha de Luís Álvares de Távora, 13º senhor de Mogadouro, e de D. Filipa de Vilhena;
· 2 - com D. Maria de Noronha, filha do 4º conde de Odemira;
· 3 - com sua sobrinha D. Isabel de Meneses, filha de Tristão da Cunha, comendador de S. Pedro de Torres Vedras, e de sua irmã D. Helena de Ataíde. A viúva professou nas freiras descalças da Madre de Deus. em Lisboa.
A linha feminina faria recair o título em D. João Gonçalves de Ataíde, fidalgo da Casa real, neto de Simão Gonçalves da Câmara, capitão donatário da ilha da Madeira, e de sua 2ª mulher D. Isabel da Silva, filha de D. João de Ataíde, conde de Atouguia.
Está ligado a Peniche porque sendo o 3º Conde de Atouguia, e atendendo à proximidade e conhecimento da área, foi encarregue pelo rei D. João III (1521-1557) de edificar uma fortaleza nesta cidade.
As obras da fortaleza de Peniche, iniciadas por D. Luís de Ataíde, sofreram várias interrupções, nomeadamente entre os anos de 1568 e 1577, período em que o conde de Atouguia assumiria por duas vezes o cargo de vice-rei da Índia.
A Fortaleza tinha por fim proteger as populações das incursões corsárias que frequentemente assolavam estas paragens. Esta necessidade de defesa ficou bem patente numa carta que D. Afonso de Ataíde, senhor da Atouguia, enviou a D. João III, em resposta às preocupações do monarca quanto a todas as questões relativas à construção de uma fortaleza em Peniche. Afonso de Ataíde, numa exaustiva explanação, esclareceu a necessidade de defesas lembrando que "(...) se nom tiver defemsão, podem desembarcar cem mil combatentes em terra, e podem-se fazer fortes naquella ilha (...)". Custariam as obras de fortificação, por orçamento bem descriminado do mestre Luís Fernandes, a quantia de um conto e oitocentos e setenta mil e oitocentos reis, em que se incluía o Castello por 1.414$800 reis.

Fontes:
http://www.portugalweb.net/castelos/beiral/penicheap.asp
http://www.sokarinhos.com.br/HISTORIA/historiaportugal_IIdin_dsebastiao.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dom_Lu%C3%ADs_de_Ata%C3%ADde

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